Parem
Parem
Eu confesso
Sou poeta
Cada manhã que nasce
Me nasce
Uma rosa na face
Parem
Eu confesso
Sou poeta
Só meu amor é meu deus
Eu sou o seu profeta.
Iceberg
Uma poesia ártica,
claro, é isso que eu desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não, Nenhuma.
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?)
Sim, inverno, estamos vivos.
Parada cardíaca
Essa minha secura
Essa falta de sentimento
Não tem ninguém que segure,
Vem de dentro.
Vem da zona escura
Donde vem o que sinto.
Sinto muito,
Sentir é muito lento.
O mínimo do máximo
Tempo lento,
espaço rápido,
quanto mais penso,
menos capto.
Se não pego isso
que me passa no íntimo,
importa muito?
Rapto o ritmo.
Espaçotempo ávido,
lento espaçodentro,
quando me aproximo,
simplesmente medesfaço,
apenas o mínimo
em matéria de máximo
Enchantagem
de tanto não fazer nada
acabo sendo culpado de tudo
esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima
de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito
pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito
que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
a celebrar
de tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade
o pau na vida
o vinagre
o vinho suave
pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade
A ciência em si
Se toda coincidência
Tende a que se entenda
E toda lenda
Quer chegar aqui
A ciência não se aprende
A ciência apreende
A ciência em si
Se toda estrela cadente
Cai pra fazer sentido
E todo mito
Quer ter carne aqui
A ciência não se ensina
A ciência insemina
A ciência em si
Se o que se pode ver, ouvir, pegar, medir, pesar
Do avião a jato ao jaboti
Desperta o que ainda não, não se pôde pensar
Do sono eterno ao eterno devir
Como a órbita da terra abraça o vácuo devagar
Para alcançar o que já estava aqui
Se a crença quer se materializar
Tanto quanto a experiência quer se abstrair
A ciência não avança
A ciência alcança
A ciência em si
Nome
algo é o nome do homem
coisa é o nome do homem
homem é o nome do cara
isso é o nome da coisa
cara é o nome do rosto
fome é o nome do moço
homem é o nome do troço
osso é o nome do fóssil
corpo é o nome do morto
homem é o nome do outro
Engrenagem
o oco de fora
o fóssil futuro
o leite da pedra
a reta flexível
o buraco cheio
o fim do meio
o peso do ar
para fazer funcionar
a engrenagem de uma peça só
o aqui do corpo
o tempo todo
a meta-metade
a outra versão da verdade
o aqui do aquilo
o contra-contrário
o ímpar par
para fazer funcionar
a engrenagem de uma peça só
Armas pra lutar
Por que?
Pra que?
Em que
Devo acreditar?
Viver
Sem armas pra lutar.
Não crer,
Não ser,
Não ter
Armas pra lutar.
Não preciso ser alguém,
Eu consigo viver sem
Armas pra lutar.
Prosseguir desarmado,
Suportar desarmado,
Desarmado, sem armas pra lutar.
La lucha
Em la lucha de clases
Todas las armas son
Buenas
Piedras
Moches
Poemas
Tudo é vago
Tudo é vago e muito vário
Meu destino não tem siso,
O que eu quero não tem preço
Ter um preço é necessário,
E nada disso é preciso.
Esta vida
esta vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem
17 Arnaldos
viver não tem volta
o dia de amanhã chegou
a culpa é de todo mundo
o rio não sabe onde vai
que versão da verdade
se o chão rachar o teto cai
vivo de morrer
deixar de ser pra deixar ser
crescer dói
perder liberta
de comerciante sem troco todo mundo tem um pouco
não faço direito
faço do meu jeito
o olho não se enxerga
o olho reflete o que vê
o avesso do espelho é você
fecha os olhos e manda ver
Erra uma vez
Nunca cometo o mesmo erro
Duas vezes
Já cometo duas três
Quatro cinco seis
Até esse erro aprender
Que só o erro tem vez.
Segundo consta
O mundo acabando,
Podem ficar tranqüilos.
Acaba voltando tudo aquilo.
Reconstruam tudo
Segundo a planta dos meus versos.
Vento, eu disse como.
Nuvem, eu disse quando.
Sol, casa, rua,
Reinos, ruínas, anos,
Disse como éramos.
Amor, eu disse como
E como era mesmo?
Merda e ouro
Merda é veneno.
No entanto, não há nada
Que seja mais bonito
Que uma bela cagada.
Cagam ricos, cagam pobres,
Cagam reis e cagam fadas.
Não há merda que se compare
À bosta da pessoa amada.
Decida
Ou desce ou dá
Ou desce ou cai
Ou racha ou vai
Ou fode ou sai
É só ou mais
Ou pode ou quer
Ou é ou não
Ou vem ou tiau
Ou sim ou fim
A fim ou não
Ou fica ou sai
Não quer ou quer
Ou vem ou nem
Ou sim ou sai
Ou deixa ou tá
Ou desce ou dá
Decida
Ou desce ou desce
Ou dá ou dá
Decida
É agora ou já
Invernáculo (parte dele)
Quem sabe mal digo
Mentiras
Vai ver que só minto
Verdades
Eu meio, eu dentro, eu quase.
Pauloleminski
o pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique
Um bom poema
um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto
Poemas Visuais
Agora
Agora
Já passou
Coração
PARA CIMA
Escrito em baixo
FRÁGIL
Haja
Hoje
Para tanto
Hontem
Retrato de lado
Retrato de frente
De mim me faça
Ficar diferente
E só
Quando estar sozinho
Ficar sozinho
E só
E só
Ficar sozinho
Quando estar sozinho
—— que tudo se foda ——
disse ela,
e se fodeu toda
terça-feira, 6 de março de 2007
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5 comentários:
segura o klan, amarra o klan,
segura o klan, klan, klan, klan, klan!=D
hahuahuhuauha
É isso aí...
;********
possa crer... vamos leminkar amigos klandestinos! =D
.
Bunda
pra
frente
Klan!!
.
:******
baiser
Amei o Blog, bzu, querida!!!
Aline
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